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Mostrando postagens de maio, 2015

Sabe o que eu lembro?

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Como lembro daquele romance! Alguns singelos sorrisos, soltos, registrados em poucos selfies. Dos olhos, lembro mais o vermelho que marcou o dia da despedida. Sei que havia um brilho! Isso, havia um brilho! Mas, não carrego registro de pupilas vibrantes, ou o verde encantador que outrora nossos amigos elogiaram. São poucas lembranças que ficaram. Perfume, sabor da boca, temperatura da pele, ou qualquer detalhe, que te coloque num lugar especial em minha memória. Mas, não vem nada! Lembro que fomos felizes! Acho que fomos, ou eu lembraria? Mas, tem algo de uma combinação... algo que está aqui fresco na memória, sei que está! Uma harmonia, uma construção quase perfeita, me dê um segundo, vou lembrar. Algo, talvez, envolvendo a velocidade com que nossas roupas sumiam. Será isso? Nossas roupas? A velocidade? Você falava do meu jeans, camiseta Hering branca, e o tênis “chique” que imitava All Star. Nos conhecemos assim! Eu caminhava do lado de dentro da calçada desviando de b...

Flores de um destino

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3, 2, 1... O Buquê sobe! Imagem da Internet Por alguns segundos minha respiração para. Suor, frisson. O tempo congela. Sinto-me capaz de levantar da mesa, andar pelas pessoas. Tudo imóvel. Não é assim quando o tempo nos permite decorar aquele momento? O mundo se divide ao redor de um ramalhete, um punhado de flores sem vida, mas que carregam sonhos, aspirações, desejos. Sem fundamento, admiro a sensação sem nexo que se conecta diretamente   com meu imaginário. Enquanto aquele amuleto de rosas vermelhas subia, levava consigo, ao céu, minha cabeça, meus sentidos, e deixava a razão bem aqui, com os pés no chão. Maldita razão, tão frágil diante daquilo que eu mais queria na vida. Você! Queria eu ter traçado o plano de voo praquele buquê. Sem escalas e conexões, apenas um destino final. Lá de cima, um sonho juvenil se agarrava em um imaginário surreal, cético e misticamente verdadeiro. Longa subida. Olho em volta e não estou só. São tantos sonhos,...

Quase um vício

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Foto by Bruno Santos Ainda 19 horas? Que relógio é esse que marca apenas as horas que não passam? Deveria ter vendido esse também. Será que consigo quanto com ele? Quase 20! É hora de alimentar o vício. Não! Já passou da hora de me libertar. Mas, essa segunda-feira será a última dose, só mais essa. Entreguei muito pra sustentar essa situação. Passei por cima de conceitos. Formas e formatos ficaram nas pias e espelhos. Durou tempo demais. Era apenas uma dose, uma noite, uma tarde. Foi mais uma praia, escondido! Uma vez mais no parque, ninguém vendo! E ganhou o silêncio do meu quarto. Agora chega! Se ao menos fosse ruim, longe disso. Se ao menos o meu medo fosse maior. É combustível. Combustão! Essa palavra resume bem. Corre nas veias, queima. Desce pela nuca, gela. Explode em chamas pelas extremidades e reúne no núcleo uma mistura de sensações que não me deixam largar.  Mas chega, segunda-feira, pela manhã, a última dose, no café. Maria um pingado, por favor...

Uma paixão de tirar do chão

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Já era tarde, após um longo dia correndo pela facul, tudo que eu queria era a festa de encerramento. E a festa começou bem. Música, gente descontraída e, talvez, pelos embalos etílicos que nos envolviam, parecíamos todos rir da mesma coisa. Ou de coisa nenhuma. Surpreendentemente, fui abordado pela linda morena da biblioteca, a quem eu me referia como Betty Boop dos anos 2000. “Me tira do chão”, ela disse. Simples e meiga ela repetia “me tira do chão vai, você tem cara de Homem que sabe como me tirar do chão”. Apavorado e imediatamente em conflito com o corpo docente que nos observava no evento, fui obrigado a declinar do desafio. Mas, não consegui parar de pensar na frase, no jeito, no gesto, no olhar e nos lábios vermelhos, repetindo tal provocante frase. Afinal, o que ela estava insinuando, com um apenas, “me tira do chão”? Sob um olhar físico, eu poderia abraçá-la como a quem agarra sua melhor oportunidade em um único movimento. Um abraço forte, sentindo toda su...

Era ontem, por Deus, era ontem!

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Eu não sei o que escrever! Passei o dia todo definindo frases e combinando palavras que soavam perfeitas para te pedir perdão, mas neste momento, agora aqui, nesta tela branca, não fazem sentido algum. Não tenho rimas, não tenho redondilhas, que por maiores que pudessem ser criadas, não podem me salvar. Tua voz, do outro lado da linha dizendo “foi ontem”, soou como derrota. Os dias longe me levaram as manias, as preferências e também as datas. Teu sorriso, tua voz ainda vagam dentro de mim, mas são apenas sombras. Após meses tramando contra o universo uma forma de te procurar, te lembrar da minha existência, te encantar uma vez mais, com apenas um golpe derrubei estes   planos todos.  “Foi ontem”, ainda vai ecoar dentro do meu peito. Afinal, deixei escapar uma daquelas oportunidades de celebrar as coisas doces da vida. A simplicidade de um alô, lembrei de ti. Vou me torturar por deixar de ouvir uma vez mais a sua voz   encabulada, segurando o grit...

Uma história de muitas estórias

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Mais uma vez olho para a última mala em cima da cama, antes de feichar o zíper, última olhada, uma última conferida antes de partir. Não por acaso a última mala é a mesma que carrega as tranqueiras. Pequenas lembranças, fragmentos, de estórias vividas ao longo dos últimos 20 anos longe da terrinha Natal. Enquanto observo cada objeto, impossível não lembrar das viagens, das pessoas, das aventuras, das enrascadas, do dinheiro que ganhei, do dinheiro que perdi. Risos, gritos, suor, bagunça... fôlego. Atrás da porrta , um mapa, surrado, mostra com percevejos e fotos pálidas de sol, os lugares por onde passei, por onde lembram de mim, e por onde eu lembro deles. Morei em tantos lugares que nem lembro mais qual o meu sotaque. Costumo dizer que nasci onde o trem faz Piuír e o galo cocoricór. Mas, hoje coleciono gírias e expressões que escondem de longe minhas origens. Quantas estórias! Meu caminho já tomou tantos rumos diferentes que minhas dúvidas têm me guiado mais que ...