Quase um vício
LEIA COM MUSICA
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| Foto by Bruno Santos |
Entreguei
muito pra sustentar essa situação. Passei por cima de conceitos. Formas e
formatos ficaram nas pias e espelhos. Durou tempo demais. Era apenas uma dose,
uma noite, uma tarde. Foi mais uma praia, escondido! Uma vez mais no parque,
ninguém vendo! E ganhou o silêncio do meu quarto. Agora chega!
Se
ao menos fosse ruim, longe disso. Se ao menos o meu medo fosse maior. É
combustível. Combustão!
Essa palavra resume bem. Corre nas veias, queima. Desce pela nuca, gela. Explode
em chamas pelas extremidades e reúne no núcleo uma mistura de sensações que não
me deixam largar.
Mas
chega, segunda-feira, pela manhã, a última dose, no café. Maria um pingado, por
favor, pão na chapa e uma dose. E pronto! Como
você faz isso? O poeta do skate avisou, não ouvi, agora me dominou, como faz?
Não faz? Quem faz?
Como
lutar contra a forma como preenche os espaços entre meus dedos, as lacunas da
minha mente e os desertos dentro do meu coração. Oasis é minha consciência
neste horizonte de areia cinza colorida apenas com as tragadas de teu aroma.
Vou
trocar esse relógio que não passa.
Abstinência?
Um final de semana inteiro tremendo, segurando, rangendo os dentes num esforço
insano para enganar a mim mesmo que não preciso de você. Ódio de você.
Não
preciso! Tenho tudo o que sempre quis, hoje!
Vou
lhe usar mais uma vez e chega, sem mais vícios. Sou eu que uso, não uso? Me
usa? Então use, use-me e não devolva no final, não preciso dessa consciência, se
você lá não estará.
Chega
é a última!
Viciado,
dependente, ou predestinado?
Vamos
encerrar por aqui? Você me fez forte, trouxe a calma, levou pra uma viagem
lisérgica e, agora, devolva meu porto seguro.
Próximo
à janela, sentado em minha cama, tomo um café, fumo um cigarro! O relógio me
mostra 23h. Penso em tudo que me levaria preso. Melhor não! Prefiro você, uma
overdose e pronto, sucumbo à sua prisão.
Ok!
Confesso! Não será a última.
Não
pretendo deixar de cheirar teu corpo, beber de tua essência, respirar teu sopro
de mulher. Mulher pura, forte, “da boa”.
Meia-noite,
eu homem, adicto, apaixonado sou mais uma vítima na luta. Outro dia terminou e
eu não me entreguei a você. Só por hoje eu fui um vencedor. Mas, amanhã é outro
dia e minha luta vai recomeçar.
Só
por hoje eu venci, mas consciente que ainda te quero entre minhas pernas, me
dominando a cabeça, alterando meus sentidos e me fazendo ser quem eu sempre
quis ser.
Apenas eu. Teu.

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