Uma história de muitas estórias

LEIA COM MUSICA
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Mais uma vez olho para a última mala em cima da cama, antes de feichar o zíper, última olhada, uma última conferida antes de partir. Não por acaso a última mala é a mesma que carrega as tranqueiras. Pequenas lembranças, fragmentos, de estórias vividas ao longo dos últimos 20 anos longe da terrinha Natal.

Enquanto observo cada objeto, impossível não lembrar das viagens, das pessoas, das aventuras, das enrascadas, do dinheiro que ganhei, do dinheiro que perdi. Risos, gritos, suor, bagunça... fôlego. Atrás da porrta, um mapa, surrado, mostra com percevejos e fotos pálidas de sol, os lugares por onde passei, por onde lembram de mim, e por onde eu lembro deles.

Morei em tantos lugares que nem lembro mais qual o meu sotaque. Costumo dizer que nasci onde o trem faz Piuír e o galo cocoricór. Mas, hoje coleciono gírias e expressões que escondem de longe minhas origens.

Quantas estórias! Meu caminho já tomou tantos rumos diferentes que minhas dúvidas têm me guiado mais que minhas certezas. Da terapia ao coaching, tudo já foi muito resumido pelos conselhos do avô “meu filho na vida é preciso ter foco”. Conselho estranho para um míope funcional!

Como posso falar de foco? Neste momento é o que busco para conduzir este testemunho, minha cabeça, como o caminhante, dos caminhos incertos, já seguiu mundo afora. Paris, Munique, Roma, Londres, Las Vegas e Amsterdã, pensei nos lugares que passei para buscar uma linha de raciocínio, impossível.

Uma ideia na mão e uma câmera na cabeça, assim me sinto. Assim fui seguindo. E agora, tenho que voltar. Casa! Casa? Tua casa são teus pés, eu ouvi uma vez!

Mas, o que te faz voltar? Do tipo: chega! Time to go home! Decepções? Promessas? Alguém? Algo?

Durante um bom tempo achei que alguém me levaria de volta. Ao mesmo tempo, quando perdia alguém importante eu pensava muito em voltar. Voltar lembra recomeço, vida nova, desafio. Bons ingredientes né? Mas, também lembra casa, retorno ao início. Por vezes até derrota.

Se eu vivo de estórias e buscá-las me alimenta, então talvez eu tenha que ir para onde elas estão. Assim, um dia, quando eu for velhinho, minhas histórias vão me trazer de volta. E me manter com os pés no chão...

Comentários

  1. Sempre que leio seus escritos me pergunto como seria bom ter esse dom. Parabénsssss...

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  2. Sempre que leio seus escritos me pergunto como seria bom ter esse dom. Parabénsssss...

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