Flores de um destino

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3, 2, 1... O Buquê sobe!
Imagem da Internet
Por alguns segundos minha respiração para. Suor, frisson. O tempo congela. Sinto-me capaz de levantar da mesa, andar pelas pessoas. Tudo imóvel. Não é assim quando o tempo nos permite decorar aquele momento?

O mundo se divide ao redor de um ramalhete, um punhado de flores sem vida, mas que carregam sonhos, aspirações, desejos. Sem fundamento, admiro a sensação sem nexo que se conecta diretamente  com meu imaginário.

Enquanto aquele amuleto de rosas vermelhas subia, levava consigo, ao céu, minha cabeça, meus sentidos, e deixava a razão bem aqui, com os pés no chão. Maldita razão, tão frágil diante daquilo que eu mais queria na vida. Você! Queria eu ter traçado o plano de voo praquele buquê. Sem escalas e conexões, apenas um destino final.

Lá de cima, um sonho juvenil se agarrava em um imaginário surreal, cético e misticamente verdadeiro. Longa subida. Olho em volta e não estou só. São tantos sonhos, aspirações, crenças, vontade de conduzir o destino. Um mar de braços voltados para um mesmo horizonte. Que fé? Que poder que carrega este símbolo!

Admiro seu rosto. Olhando para o presente que ameaça pousar em vossos braços. Seu olhar revela a vontade de que àquilo lhe traga a paz, o destino final. Que as flores sigam sua rota, levem a sorte, o futuro, a vida.

Sinto-me estranho, como pode um punhado de rosas desequilibrar minhas verdades, desvirtuar meu certo conduzir meu errado. É só uma flor, amarrada a outra e a outras. Que sobe alto, centraliza os olhares. É só uma flor amarrada a outra. Uma vida inteira naquelas pétalas!

Ao mesmo tempo que reconheço os braços em que ele deve pousar e algo dentro de mim grita: pega! Não reconheço o lugar, não reconheço as pessoas, não reconheço o quando deste voo definitivo!

Reconheço o sorriso que se encanta com o presente, reconheço as mãos macias que agarram o caule, mas não estou lá!

Se ao menos eu tivesse te levado a sério, não estaria a mercê do voo sem controle, da sorte lançada pelas flores. Se ao menos tivesse olhado mais pra você, mais pra nós! Não, não sou eu ao seu lado na foto. Quisera que este voo tivesse outro destino.

Mas o caminho parece certo, preciso, certeiro. Como desejei esses braços que agarram com tanta esperança e cuidado tais pétalas. Esperança do novo, vida nova. Nas mãos da noiva ficaram as rugas de velhas histórias, velhos romances, antigas sensações. Lá fiquei, junto com outros espinhos e arbustos que agora apenas enfeitam um passado homogêneo.

Tenho mais fotos para olhar, prefiro o suspiro! Um grito, um afago e um castigo. São as suas mãos no caminho das flores. Em teus braços elas repousaram, com calma e lentamente em teu colo encontraram uma nova casa.

E como diz a lenda, trarão alguém. Como um dia já me trouxeram você. As rosas vermelhas se confundem com seu batom e se misturam com seu vestido. Mas, não sou eu lá.

Em teu rosto, um sorriso que brilha e anuncia uma nova história! Em teus braços o emissário que traz o novo, o futuro. A certeza de um novo amor.

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