Sabe o que eu lembro?

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Como lembro daquele romance! Alguns singelos sorrisos, soltos, registrados em poucos selfies. Dos olhos, lembro mais o vermelho que marcou o dia da despedida. Sei que havia um brilho! Isso, havia um brilho! Mas, não carrego registro de pupilas vibrantes, ou o verde encantador que outrora nossos amigos elogiaram.

São poucas lembranças que ficaram. Perfume, sabor da boca, temperatura da pele, ou qualquer detalhe, que te coloque num lugar especial em minha memória. Mas, não vem nada! Lembro que fomos felizes! Acho que fomos, ou eu lembraria?

Mas, tem algo de uma combinação... algo que está aqui fresco na memória, sei que está! Uma harmonia, uma construção quase perfeita, me dê um segundo, vou lembrar. Algo, talvez, envolvendo a velocidade com que nossas roupas sumiam. Será isso? Nossas roupas? A velocidade?

Você falava do meu jeans, camiseta Hering branca, e o tênis “chique” que imitava All Star. Nos conhecemos assim! Eu caminhava do lado de dentro da calçada desviando de buracos naquela calçada preta e branca. Enquanto você estava sentada, ou em pé? Não, você saiu da loja rindo... Não tenho certeza.

O meu jeans você lembra? Estava surrado, de uma semana pesada. Era o jeans que você aprendeu a abrir bem rápido! Amarrotado, comprado já com manchas pra fingir ser velho. As coisas velhas são sempre as melhores né? Você tinha uma camiseta velha que usava pra dormir né? Ou era de correr Queria tanto ter envelhecido ao teu lado, talvez seria mais difícil e largar assim...

Como num conto da mitologia Grega, minhas camisetas brancas teimavam em se multiplicar. Você odiou dividir o armário comigo. A cada peça sem cor, desbotada, que você rasgava, outras duas apareciam. Lembro da limpeza no meu armário! Lembra? Você insistindo em cores, mas só branco predominava naquelas gavetas. Enquanto do seu lado, os vestidos nas gavetas todos separados por tons, ou era nos cabides que eles ficavam? Muitas caixinhas de papel guardando... eram os brincos? Ou os brincos ficavam na gaveta da mesinha ao lado da cama? Esqueci!

“Homem talher de prata, mulher talher de madeira”,  você disse quando foi embora. Diferentes? Não sei, não lembro! Meu cabelo mudei algumas vezes, perdi peso, ganhei dinheiro, deixei gírias e amigos no passado, quanta coisa para entrar em seu mundo e ali ficar. Infeliz!

Lembro muito de como eu... Não pensei em você? Perdi!
Faltou entender que salto podia significar massagem dos calcanhares à panturrilha. E que cabelo preso, traduzia-se em passar horas espalhando  shampoo no chuveiro. Faltou pensar em você?

Pequei em não entender seus olhos clamando pelo “não hoje”, ou decifrar sua boca, imóvel, dizendo “não agora”? Faltou perceber o “você” onde eu insistia em colocar o “eu”! Faltou lembrar do nós!

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