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Você foi meu melhor erro

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  Você foi meu melhor erro Oito! E a porta do elevador fecha. O número aceso, paciente. Não era meu destino. Um riso breve, desses que a gente dá sozinho, e no peito uma sensação de endereço antigo. Minha mão chega perto do painel, mas não aperta nada. Três, quatro. O elevador continua subindo com aquela obediência irritante das máquinas. Olho para a câmera no canto do teto. Desvio. Ato falho, diria alguém. Dessas lembranças que somem por meses e, quando reaparecem na vitrine dos olhos, deveriam parar o mundo. Não param. O elevador segue, e eu, destinado, vou junto até o que me fez apertar aquele botão. No começo eram debates intermináveis sobre a cor do medo, a força do riso. Às vezes uma cerveja depois do trabalho. Duas, no máximo. Você falava de incertezas como se fossem assunto; eu discordava como se estivesse prestando atenção. Leve. Sem pressa, sem pressão, sem provas, sem reprovar. Foi assim que a gente se acostumou a aproveitar aquele mesmo sol indo embora. Cinco. ...

Outra vez você entra

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Outra vez você entra -   E o sino preso à porta toca. Escolhe uma mesa de onde nossos olhos conseguem se encontrar sem que nenhum dos dois precise admitir que estava procurando. Não sei se você me viu primeiro. Também não importa. Você senta, deixa alguma coisa sobre a mesa, olha o celular e pede um café. Eu já comecei. Já sei que são duas colheres de açúcar, mas não sei seu nome. A torrada vem em seguida, mas não sei seu gosto.   Você prende o cabelo enquanto espera e eu penso em levantar. Na minha cabeça, levantei. Atravessei o espaço entre as nossas mesas com uma tranquilidade que nunca tive, inventei alguma frase suficientemente despretensiosa para não parecer ensaiada e você riu. Não uma gargalhada dessas que a gente coloca nas histórias, para provar que deu certo. Só riu. O suficiente para eu ficar mais um pouco. Ou será que tropecei em sua cadeira e pedi desculpas sorrindo, pois vi que não comecei errado! Perguntei seu nome. Você perguntou o meu. Pedi licença para ...

Sem ir embora

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Sem ir embora - Continuei ali. Você se apaixonou pela minha bagunça. Não sei se foi exatamente assim, mas é assim que eu gosto de lembrar. Eu chegando atrasado, esquecendo a chave, mudando o caminho no meio do caminho, inventando programa depois que o programa já tinha começado. Você reclamava daquele jeito que não era bem reclamação, eu pedia desculpa daquele jeito que nunca foi exatamente desculpa e, de algum jeito, funcionava. Talvez porque, naquela época, meus defeitos ainda tivessem apelido. Meu atraso era distração. Minha pressa era paixão. A falta de plano, improviso. E essa minha mania de querer tudo ao mesmo tempo você chamava de intensidade, como se trocar o nome das coisas fosse suficiente para mudar o estrago que elas fazem. Eu também fazia isso com você. Chamava seu controle de cuidado, sua teimosia de certeza, seu medo de prudência. Achava bonito você tentar colocar alguma ordem em mim enquanto eu fazia questão de bagunçar um pouco você. Era quase um acordo. Eu ...

Depois

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  Sugestão de trilha: Depois - Marisa Monte Depois No escuro, ninguém tem idade. No escuro, ninguém tem idade. Esta é a única lei da sala do Cinema. Vale por duas horas e não abre exceção pra ninguém. Lá fora, o tempo bateu o ponto todos os dias: mudou cidades, trocou telefones, encheu a sua vida de gente que eu não conheço e a minha de gente que você nunca vai conhecer. Aqui dentro, ele foi suspenso. Por contrato. Sentei do seu lado como quem senta ao lado de alguém pela primeira vez. Depois de tanto tempo, era isso mesmo. A sala apagou antes que eu pudesse olhar direito pra você. Talvez tenha sido melhor assim. Porque antes da primeira imagem, antes da música, antes que qualquer personagem dissesse qualquer coisa, você chegou até mim de um jeito que eu conhecia. Tinha alguma coisa ali que atravessou os anos sem pedir licença. Por alguns segundos, não estávamos ali. A tela acendeu. Você ficou azul por um instante, depois vermelha, depois quase desapareceu quando a cena escureceu o...