Você chama de quê?

LEIA COM MUSICA
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Recebi esta confissão de uma leitora há um tempo. Resolvi, com consentimento dela, publicá-lo:

“Com seis meses de namoro, do cara que mais fui apaixonada em toda minha vida, eu disse a ele, num sussurro, depois do amor: eu queria que você fosse o último homem da minha vida. Como tudo depende de contexto e naquele momento, no auge da paixão adolescente (como toda paixão é, ou deveria ser) ele entendeu e seus olhos prometeram que seria. Entre algumas vírgulas e reticências, em algum momento, no climax do amor que decifrava os segredos de uma transa, ele costumava me dizer: goza pro seu macho! E isso é muito íntimo, e só confesso, pois o poeta é um fingidor e acima de tudo, todo escritor tem um pouco de psicólogo e um resto de barman. Esse ápice da virilidade, dessa dança ancestral e atávica entre macho e fêmea, tornava aquela frase quase um eu te amo. Mas, a vida não é feita de quases e em algum momento, descobri que o mesmo que nos leva ao céu, nos catapulta para o inferno, sem nem um teaser... Ou talvez só tenha zapeado o canal na hora que o comercial passou”.

Como não mergulhar em tais referências, quando frases simplesmente saltam de nossa essência e envolvem os corpos, como um mantra que nos lev`alma, deixando a mente embriagada no suor e zonza do movimento intenso.

Do que você chama? Amor, Paixão, Meu Anjo! As vezes um apanhado de carícias e mordidas transgressoras resumiam mais do que os apelidos que eu inventava.

Já fomos reis e já fomos servos um do outro. Já fomos turistas e aventureiros. Cenário nunca faltou, para que os apelidos e as palavras de atração surgissem sem esforço a cada fôlego que tomávamos.

Na praia, sob aqueles óculos grandes e chapéu recém-comprado você era diva dos anos 30! Undercover, disfarçados de amantes, brincávamos de fugitivos, que roubavam a paixão de outros casais e, nas areias, próximo ao mar, buscavam proteção nas abas de um chapéu de palha.

Fomos atletas no parque e fãs enlouquecidos de uma banda que não lembro, em um show que não me recordo. Os gritos enlouquecidos que chamavam pelos artistas no palco escondiam os nomes malucos que inventávamos um para o outro. Oportunista eu aproveitava tantos apertos e empurrões para culpar a multidão pelo destino atrevido que minhas mãos tomavam.

Saudade dos seus apelidos. Chamando em meu ouvido e me convencendo de cada personagem, cada vida que vivemos.

E você me chama de quê?

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