Sempre achei que você seria meu Homem
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| Encontro marcado - uma boa primeira vez do cinema |
Desde o primeiro beijo na porta de sua casa que eu penso em
ser seu primeiro e único homem. Lembra? Eu, inocente segurando uma fita de
vídeo, de um filme qualquer. Uma fita de vídeo, cujo protagonista foi
apresentado a sua primeira paixão, ali, naquela porta cinza que mais do que a
sua casa, guardava todo meu desejo juvenil.
Foram meses enfrentando desafios gigantescos para que minha
mão tocasse a sua embaixo de cobertas e castelos de areia que se desfaziam com
a curiosidade de outros que se colocavam entre nós. Quantos anos tínhamos? 11,
13, ou uns 9? A vergonha, o medo de ser capturado por algum de nossos amigos
era algo inimaginável nos dias de hoje, onde um funk munido de malícias,
arrasta por entre rebolados, a inocência de crianças da idade que tínhamos.
Na noite da fita, na noite do beijo, na noite na porta de
sua casa. Booom! E Num instante sua mão não está longe, seu toque não é tão
impossível assim e tua boca, muito mais experiente que a minha, me conduz à uma
nova experiência em minha vida.
Sem entender, o porquê das pernas perderem suas forças e do
estômago teimar em se acovardar, fui apresentado à paixão. Sentimento monstro,
que me acompanharia para todo sempre.
Sem saber o que fazer com as mãos que tique-taquearam
séculos estendidas ao longo de seu corpo, toquei seu rosto que tinham uma textura
toda especial. Nem seca nem úmida, sua pele parecia suar. O que seria
totalmente aceitável, pois o nervosismo que nos dominava era... Nos dominava?
Ou, me dominava?
Como é bom ser inocente, como é bom ser beijado sem ao menos
prever de onde viria o golpe. Certeiro, inconsequente, despretensioso e sem
total conhecimento de seu poderio bélico. Apenas um beijo, o primeiro, o mais
puro, o mais esperado, o que inauguraria a galeria das coisas inesquecíveis de
uma vida.
Lembra do primeiro toque? Por debaixo da coberta! Meses
antes da fita de vídeo, anos antes talvez! Inventávamos sessões de cinema em
casa, só para jogar com o imaginário e gastar toda poesia que existe em segurar
sua mão, sem que ninguém percebesse. Frisson!
A cumplicidade, a gestão de nossa amizade, claro que eu
deveria ter sido seu homem. Mas, o tempo não obedece sonhos, nem planos
perfeitos. Nossos finais felizes já foram usados em anúncios e cartazes,
espalhados por ai, em muros e placas de promoções.
Admiro a maturidade que desenvolvemos a cada copo, a cada
corpo. Admiro nosso poder de deixar (lá naquela porta, naquela fita de vídeo)
todas as investidas do tempo de enterrar tantas histórias, tanta memória que
permanece viva e presente, mesmo que trancafiada por vezes nos calabouços de
nosso passado.
Vamos beber!
Vamos brindar às famílias que construímos. Sou feliz com seu
caminho e tenho certeza da recíproca. O tempo passou, nem me toquei! Agora dou
conta, que é preciso um toque a mais, o toque de recolher.

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