Outra boca sem teu gosto

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Além da lacuna, um mau costume enorme. Assim você e me deixou.
Depois de tanto empurra-empurra, os puxões de cabelo, a voz rouca pedindo para eu parar, sem jamais desgrudar do meu quadril, o flerte perdeu a flecha.

Elas não sabem mexer!

As vozes não se misturam mais em meio aos assuntos soltos e desejos escondidos, que se revelavam pelos apertos, beliscões, tropeços. Elas não correm, não jogam, não brincam, não fingem não poder, não mentem não querer.

Sinto falta de teu sim, ao final de tanto não. Seu jeans apertado impedindo o passeio de meus dedos e desejando minha mão. Minha vida está com menos nãos mentirosos, sendo desvendados por pernas agarradas e cabelos enrolados.

Enquanto elas me olham no olho, você piscava pra minha boca. De longe sinalizava as cartas certas pra eu preparar o próximo lance. Um jogo de cartas marcadas. Um blefe pelo toque certo me clamando “All In”!

Marcas de unhas, mordidas e lembranças. As cicatrizes que ficam, agora, são de encontros Okeis e falas batidas. Faz uma puta falta a sua transa fantástica.

Não ouço mais “Vai com calma, vai”. Elas não sabem lidar com minha ansiedade como você fazia. Minha Ritalina, com recheio de Rivotril e duas doses de camomila, hoje é uma morfina que adormece meu desejo nos primeiros toques.

Também, são bocas frias e sem teu sabor que tenho provado. Um dialeto bem diferente da língua que me embriagava de sensações. Só cartões de visita de pontas dobradas. Cartas sem destinatário que acabam voltando, sem nunca encontrar seu destino. Ao menos uma fosse extraviada no caminho e me surpreendesse com uma leitura desventurada e atrevida como foi contigo.

Nada!

As páginas estão ficando frágeis de tanta borracha. Apaga, refaz! As fracas tentativas de reescrever uma história tão torta e emocionante como a que vivemos, desventuram o próximo destino, próxima curva.

Perdi o Best-seller quando deixei você partir com minha melhor nanquim. Tomara que eu acerte a caligrafia nos próximos textos, pois não dá pra gastar tinta com tantas páginas amarelas.

Aliás, já me diverti mais em catálogos de e-commerce do que navegando pelas noites de classificados e vadiando pelos bares e promoções dos últimos dias.
Mas, não é você que desejo de volta, mas a tua pegada, tua vida, minha vida descobrindo a sua. Era o Como e o Que, não Quem.

Qualquer uma pode fazer o que você fazia, não pode? Teu sorriso não era uma obra única, mas acho que tuas pernas me fizeram uma obra inacabada. A vida é uma galeria, terei vários destes na parede, sim terei. Talvez na outra parede...

Sua implicância com meu chiclete é mais um clichê de casal. E é isso que quero! Clichês mal decorados para que eu possa não precisar das tuas manias. Quero alguém que me convide pra subir como você fazia, olhando pra cima entre os poucos fios dessa franja desfiada. Abaixa o som, aumenta o tom, faz assim que é bom, bora esperar o sol?

Ainda vou bater na porta do apê e de moletom, parada ali, no batente da porta: Quer entrar? Vai ser fácil, tudo pode acontecer novamente. Tá bom!

Só ter paciência. A vida é um relógio que eu ajusto as horas mesmo, não é?
Sabe a paciência que você, não tinha? Vou buscar pra superar mais uma semana, outro mês. Mais um ano. Insano!

Na verdade eu estou mau acostumado, vou levantar do sofá agora e conhecer o próximo grande amor da minha vida, antes que eu encontre outro motivo para percorrer 71 linhas dizendo o quanto preciso ter você de novo.

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