Carta ao caminhante

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Pensando bem, você é como eu. Chegar parece suficiente, mas nunca é. Estamos presos as idas. São os caminhos que nos envolvem, e nos sustentam. Em nossos rostos, olhar satisfeito nunca é conquista. O brilho nos olhos, de quando chegamos ao fim da linha, é vazio. Porque chegar, não é nossa praia.

(muito menos nossa montanha)

Somos muito mais uma garrafa de vinho, embalado a cantadas problemáticas e pegadas truculentas, do que o êxtase de um absinto banhado de, “eu te amo”. Nesse vem e vai, de abraços seguros e carinhos de felicidade, nos descolamos de nossa própria carne, porque, é fato, se vislumbramos a conquista, imediatamente a mente vaga, ou pro começo, ou pro fim.

Sim, meu caro mudei novamente! Mexi, movi, alterei, não mais pertenço!
Mas, a estrada é isso, a inquietude, a calmaria, a ansiedade que despe o cansaço das chegadas e veste com a seda do medo, as partidas incessantes.

Você daí eu daqui, até o vento soprar novamente. Por falar em vento, uma vez ouvi que Navegar era preciso! Que paradoxo, tantas incertezas, além mar, e além do mar tantas outras forças te empurram para longe do porto, sem propósito, sem planos.

Concordo, dou-te razão! O sabor não vem das infinitas chegadas que nossas partidas proporcionam, mas dos incansáveis passos que preenchem a caminhada! Dos abraços que sustentam essas muitas chegadas.

Tem uma música que gosto que diz: “o horizonte é minha natureza e é ele com certeza que eu quero encontrar”. Gosto de pensar que sim. Gosto de acreditar que o longe que enxergo é onde meu fôlego vai se renovar para continuar em frente. Do mesmo músico ouvi que “suas dúvidas são as minhas, porque eu, sou você! Meu melhor amigo: Eu!”.

Amigo caminhante! Acho foda como percebes o caminho necessário que teu espírito clama em percorrer e não consigo discordar das rotas traçadas. Dos atalhos errados, das pegadas apagadas que se juntam a coleção e só nos distanciam da próxima estrada.

Obrigado pelo texto, vou guardar tuas palavras, post its grudados no painel, assim lembrarei que nem sempre a agulha aponta pro Norte.

Nos vemos!

PS: Ter não é o bastante. Ter, já não preenche. Somos do drama e alimentamos constantemente essa dúvida, do “como seria”, pois quando “é”, já não conseguimos mais ser, e esse, é o nosso fim. 
PS_2: Leitura de Antônio Macho - indicação de Ângelo Peccioli  

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